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Ciclone extratropical causa estragos em 18 municípios do RS com ventos de 100 km/h

Postado por Simão Rodrigues em maio 7, 2026 AT 17:35 0 Comentários

Ciclone extratropical causa estragos em 18 municípios do RS com ventos de 100 km/h

Entre sexta-feira (9) e sábado (10) de janeiro de 2026, um ciclone extratropicalRio Grande do Sul varreu o estado, deixando um rastro de destruição em 18 municípios. A Defesa Civil do Rio Grande do Sul confirmou os danos, que incluíram árvores caídas, telhados arrancados e alagamentos severos. O cenário foi tão crítico que o governo ativou o sistema 'cell broadcast' para alertar a população sobre o risco iminente.

O que aconteceu não foi apenas uma chuva forte. Foi um evento meteorológico complexo, caracterizado por rajadas de vento que atingiram até 100 quilômetros por hora em algumas regiões e mais de 500 descargas elétricas registradas apenas em Santa Maria. Apesar da intensidade, há uma nota positiva: não houve registros de desalojados diretos causados pelo fenômeno nesta onda específica.

O impacto nos municípios gaúchos

A geografia dos danos mostra como o ciclone afetou tanto o interior quanto a Região Metropolitana de Porto Alegre. Em Soledade, o Corpo de Bombeiros precisou distribuir lonas para cinco famílias cujos telhados foram comprometidos. Situação semelhante ocorreu em Frederico Westphalen, onde a corporação também foi acionada emergencialmente.

Em Victor Graeff, a força do vento derrubou uma árvore gigante que bloqueou completamente a rodovia estadual RS-223, interrompendo o fluxo de tráfego por horas. Na localidade de Vila Maria, o cenário era ainda mais dramático: uma residência ficou totalmente destelhada, enquanto galhos espalhados fecharam estradas secundárias. Não-Me-Toque também registrou quedas de árvores em várias ruas, dificultando a mobilidade urbana.

Nos boletins oficiais, os detalhes são alarmantes. Em Minas do Leão, cinco casas ficaram alagadas, duas sofreram danos estruturais no telhado e postes de energia tombaram. Em Pantano Grande, duas residências tiveram seus telhados danificados. Talvez o número mais impactante venha de Parobé, onde 30 residências sofreram danos nos telhados devido às rajadas intensas, conforme registrado às 20h04 de sexta-feira.

Ventania e eletricidade: a fúria do tempo

Meteorologistas da Climatempo explicam que o sistema gerou temporais generalizados e granizo em algumas áreas. No Planalto Norte, os ventos bateram recorde local com 90 quilômetros por hora. Mas a verdadeira surpresa foi Santa Maria, onde os radares detectaram mais de 500 raios durante o pico do temporal.

Para entender a gravidade, basta olhar para os dados técnicos. Ciclones extratropicais diferem dos tropicais (furacões) porque se formam em latitudes mais afastadas dos trópicos, resultantes da confluência de ventos em direção a um centro de baixa pressão. Quando há uma diferença abrupta de pressão entre dois pontos, o vento acelera para equalizar essa força, criando as tempestades violentas que vimos.

O alerta enviado via 'cell broadcast' para Venâncio Aires tinha validade até as 15h50, marcando o período de maior perigo. Essa ferramenta, usada apenas em casos extremos, garante que todos os celulares na área recebam a mensagem, independentemente de configuração individual.

Contexto histórico: uma série de eventos recentes

Este não é um caso isolado. O Rio Grande do Sul tem enfrentado uma sequência preocupante de eventos climáticos extremos. Em novembro de 2025, outro ciclone extratropical atingiu o sul do país, causando estragos em dez municípios gaúchos com chuvas de até 177 milímetros e ventos de 95 quilômetros por hora. Naquela ocasião, 200 mil unidades ficaram sem energia elétrica.

Os ecos do desastre de junho de 2023 ainda estão frescos na memória coletiva. Aquele evento, considerado o maior desastre natural relacionado a chuvas intensas em quatro décadas no estado, resultou em 16 mortes confirmadas. Na época, 48 municípios reportaram danos, com 1.538 desabrigados e 13.824 desalojados. O fenômeno também afetou Santa Catarina, onde o barco 'BP Safadi Seif' afundou, levando oito pescadores; seis foram resgatados, mas dois continuam desaparecidos.

Globalmente, esses sistemas podem ser devastadores. A 'Grande Tempestade de 1987' no Reino Unido, um ciclone extratropical que atingiu 953 milibares de pressão, causou 19 mortes, derrubou 15 milhões de árvores e gerou prejuízos estimados em 2,3 bilhões de dólares. É um lembrete de que a natureza não respeita fronteiras quando se trata de física atmosférica.

O que esperar agora?

O que esperar agora?

Com o afastamento do ciclone, a instabilidade dá lugar a uma nova dinâmica. Uma massa de ar polar está invadindo toda a região centro-sul do Brasil, o que significa uma queda acentuada nas temperaturas. As chuvas e ventos perderão intensidade, mas o frio será o próximo desafio para a população.

A recomendação da Defesa Civil permanece clara: evite sair de casa sem necessidade durante a passagem desses fenômenos. Os riscos de queda de objetos, árvores e postes são reais e imprevisíveis. Enquanto as equipes trabalham na limpeza e reparos, a sensação é de que precisamos estar mais preparados para a nova normalidade climática.

Frequently Asked Questions

O que é um ciclone extratropical e como difere de um furacão?

Um ciclone extratropical é formado pela confluência de ventos em direção a um centro de baixa pressão em latitudes mais altas, fora dos trópicos. Diferentemente dos furacões (ciclones tropicais), que se alimentam de águas quentes oceânicas, os extratropicais são movidos por contrastes de temperatura e pressão. Eles produzem ventos fortes, chuvas torrenciais e, ocasionalmente, granizo, sendo comuns no Brasil durante o outono e inverno.

Quais foram os principais danos registrados no Rio Grande do Sul?

Os danos incluíram quedas de árvores, destelhamento de casas e alagamentos em 18 municípios. Em Parobé, 30 residências tiveram telhados danificados. Em Victor Graeff, uma árvore bloqueou a RS-223. Em Minas do Leão, cinco casas ficaram alagadas e postes caíram. Apesar da intensidade, não houve registro de desalojados diretos neste evento específico.

Por que o sistema 'cell broadcast' foi utilizado?

O 'cell broadcast' é uma ferramenta de emergência usada pelo governo para enviar alertas críticos diretamente para todos os celulares em uma área geográfica específica, independentemente de configurações individuais ou conexão de internet. Ele foi ativado devido à severidade do ciclone e ao risco imediato de vida e propriedade, garantindo que a população fosse avisada rapidamente.

Como este evento se compara aos desastres anteriores no estado?

Embora intenso, este evento foi menos letal que o ciclone de junho de 2023, que matou 16 pessoas e deixou milhares desabrigados. No entanto, segue uma tendência de frequência aumentada de eventos extremos, como visto em novembro de 2025, quando outro ciclone deixou 200 mil pessoas sem energia. A recorrência sugere a necessidade de adaptação contínua das infraestruturas locais.

Qual é a previsão para os próximos dias após a passagem do ciclone?

À medida que o ciclone se afasta, espera-se uma diminuição na intensidade das chuvas e ventos. No entanto, uma massa de ar polar está entrando na região centro-sul, o que resultará em uma queda significativa nas temperaturas. A população deve se preparar para o frio intenso que acompanhará a estabilização do tempo.