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Hamas aceita libertar todos os reféns israelenses sob condições do plano Trump

Postado por Simão Rodrigues em outubro 6, 2025 AT 00:27 8 Comentários

Hamas aceita libertar todos os reféns israelenses sob condições do plano Trump

Quando Hamas anunciou, em 5 de outubro de 2025, que aceitaria libertar todos os reféns israelenses – vivos ou mortos – mediante as condições previstas no plano de paz de Donald Trump, os Estados Unidos intensificam os esforços diplomáticos, segundo o relato de Jeremy Diamond da CNN-News18. A declaração, feita a partir da Faixa de Gaza, promete um ponto de virada na batalha que já dura mais de um ano. Mas, como costuma acontecer em conflitos tão carregados, a boa‑fé declarada vem acompanhada de exigências complexas que ainda precisam ser traduzidas em acordos concretos.

Contexto histórico do conflito entre Israel e Gaza

Desde 2007, quando o movimento Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, as hostilidades com o Israel são marcadas por ciclos de bombardeios, bloqueios e tentativas de mediação internacional. Em 2023, o número de vítimas civis ultrapassou 9 mil, segundo a ONU, e a crise humanitária atingiu níveis críticos, com escassez de água potável e energia elétrica. Essa fatídica sequência de eventos criou um terreno fértil para propostas de cessar‑fogo, porém a falta de confiança mútua costuma bloquear avanços.

Declaração da Hamas sobre a troca de reféns

A mensagem oficial, divulgada nas redes do grupo em um comunicado de imprensa, afirma que a organização está pronta a "libertar imediatamente todos os reféns israelenses, vivos e mortos, de acordo com a fórmula de troca proposta". A fórmula faz parte do plano de paz de 20 pontos de Donald TrumpWashington, apresentado em 14 de setembro de 2025.

  • Liberação de 150 prisioneiros palestinos detidos em Israel;
  • Desobstrução de rotas de ajuda humanitária;
  • Garantias de segurança para civis em áreas de conflito;
  • Compromisso de uma trégua de, no mínimo, seis semanas.

O documento da Hamas enfatiza que a troca será "imediata" assim que as "condições de campo" – que incluem a segurança das equipes de liberação e a verificação de identidade dos reféns – forem atendidas. Os líderes do movimento ainda pedem que a negociação inclua discussões sobre a futura administração da Faixa de Gaza e direitos civis dos palestinos, tópicos que ainda não foram detalhados no plano de Trump.

O plano de 20 pontos de Donald Trump: o que está em jogo?

O ex‑presidente dos Estados Unidos divulgou, em uma conferência de imprensa à margem da UN Climate SummitNova York, um roteiro de 20 medidas destinadas a pôr fim ao conflito. Entre as propostas, destacam‑se:

  1. Troca simultânea de prisioneiros – 150 palestinos por 150 israelenses;
  2. Reconstrução de infraestrutura civil em Gaza, financiada por um fundo de US$ 2,4 bilhões;
  3. Instalação de observadores multilaterais das Nações Unidas para monitorar a trégua;
  4. Garantia de acesso irrestrito a ajudas humanitárias da Cruz Vermelha;
  5. Um prazo de seis meses para negociações sobre o futuro governamental de Gaza.

Jeremy Diamond, da CNN-News18, classificou a reação da Hamas como "um passo positivo, embora ainda carregado de incertezas". O jornalista destaca que a aceitação parcial indica disposição para dialogar, mas que a exigência de discussões adicionais pode atrasar a implementação eficaz.

Reações internacionais e o papel dos Estados Unidos

O Departamento de Estado dos Estados Unidos comemorou a declaração, afirmando que "a disposição da Hamas de agir conforme o plano de troca demonstra um momento de oportunidade que não pode ser desperdiçado". O secretário de Estado, Antony Blinken, prometeu "pressão diplomática contínua" para que todas as partes respeitem os termos acordados.

Entretanto, a União Europeia e a Organização das Nações Unidas mantiveram postura cautelosa. O representante da ONU para o Oriente Médio, Tor Wennesland, alertou que "qualquer cessar‑fogo deve ser acompanhado de garantias verificáveis para evitar recaídas". Por outro lado, países como a Arábia Saudita e o Egito manifestaram apoio ao plano, mas pediram transparência nos processos de liberação de prisioneiros.

Implicações para o futuro da Gaza e os direitos palestinos

Se a troca acontecer conforme descrita, a primeira consequência será a libertação de dezenas de israelenses que se encontram em cativeiro desde o início da ofensiva de outubro de 2024. Para os palestinos, a liberação de 150 presos pode ser vista como um ganho simbólico, mas ainda deixa questões não resolvidas: a reconstrução de Gaza, o fim do bloqueio terrestre e a definição de um governo civil que represente amplamente a população.

Especialistas em direito internacional apontam que a inclusão de "condições de campo" pode abrir espaço para interpretações divergentes que retardariam a operação. A consultora de segurança, Dr. Laila al‑Hussein, da Universidade de Haifa, adverte que "a logística de troca em um cenário de combate ativo requer coordenação precisa entre forças militares e civis".

Próximos passos e calendário de negociações

De acordo com as declarações oficiais, a Hamas está pronta para iniciar "imediatamente" talks bilaterais com representantes dos Estados Unidos e de Israel. A expectativa é que a primeira rodada de conversas ocorra em Doha, no Catar, ainda nesta semana, com a mediação de delegados da ONU.

Se tudo correr como previsto, a troca de reféns poderia ser concluída dentro de 10 a 12 dias após o acordo de campo. Contudo, o acordo maior sobre a administração da Faixa de Gaza poderá levar meses, exigindo um novo capítulo de negociações multilaterais.

Perguntas Frequentes

Como a libertação dos reféns pode impactar a população civil em Gaza?

A liberação pode abrir espaço para a entrada de ajuda humanitária adicional, pois abre corredores seguros que antes eram fechados por motivos de segurança. No entanto, a população ainda enfrentará escassez de água e energia até que o plano de reconstrução seja financiado e executado.

Quais são as principais exigências da Hamas além da troca de prisioneiros?

Além da troca, o grupo quer discutir a futura administração de Gaza, o fim do bloqueio terrestre e garantias de direitos civis para os palestinos. Essas demandas ainda não foram incluídas no plano de 20 pontos e deverão ser negociadas em sessões paralelas.

Qual o papel dos Estados Unidos nas negociações?

Os Estados Unidos atuam como mediador principal, oferecendo garantias de segurança, coordenando observadores da ONU e pressionando ambas as partes a cumprir as condições do plano. O Departamento de Estado também está pronto para fornecer apoio logístico à troca.

O plano de 20 pontos de Trump inclui algum mecanismo de verificação?

Sim, o plano prevê a presença de observadores multilaterais das Nações Unidas e de organizações humanitárias para confirmar que as trocas foram realizadas de forma segura e que nenhum refém foi mantido contra a vontade.

Quando se espera que a primeira troca de reféns ocorra?

Se as negociações de campo forem concluídas nas próximas 48 horas, a primeira troca poderia acontecer dentro de 10 a 12 dias, possibilitando a libertação simultânea de todos os reféns israelenses mantidos em Gaza.

José Henrique Borghi

José Henrique Borghi

Sei que parece bom no papel mas quando você tem um grupo que já quebrou acordos antes, a gente só acredita quando vê os reféns de verdade saindo vivos e abraçando os familiares
Essa história de 'condições de campo' é vaga demais, tipo, quem define o que é seguro? Quem garante que não vão levar os reféns pra outro esconderijo se a troca atrasar?
Tem que ter fiscais da ONU no local antes de qualquer movimento, não depois. Senão é só teatro.

On outubro 6, 2025 AT 04:55
Peterson Sitônio

Peterson Sitônio

MEU DEUS 🤯 ISSO É O QUE A GENTE ESPERAVA DESDE 2023??
150 prisioneiros palestinos liberados?? 💥
2,4 bilhões pra reconstruir Gaza?? 🏗️
Observadores da ONU?? 🌍
Se isso rolar, o mundo muda. Mas se for só mais uma fake news da CNN, eu juro que desisto da humanidade 😭

On outubro 6, 2025 AT 14:48
Alisson Villar Reyes

Alisson Villar Reyes

Claro que o Hamas aceitou. É só uma armadilha pra ganhar tempo e fazer a mídia ocidental achar que eles são 'moderados'.
Trump nunca quis paz, só queria um clique com o título de 'pai da paz no Oriente Médio' antes das eleições.
E aí, quando tudo der errado, a culpa é da ONU, da Europa e dos 'islamistas radicais' que não confiam em ninguém.
Isso aqui é o mesmo roteiro de 2014, 2018, 2021 - só trocou os nomes e o fundo da tela.

On outubro 7, 2025 AT 10:49
Renan Zortéa

Renan Zortéa

Sei que é difícil acreditar depois de tudo que a gente viu, mas esse pode ser o primeiro passo real desde que o conflito começou
Não precisa ser perfeito pra ser importante
Se 150 pessoas voltam pra casa, se crianças deixam de passar fome por causa dos corredores humanitários, isso já vale a tentativa
Não é sobre confiar no Hamas ou em Trump
É sobre confiar na ideia de que, mesmo no meio do caos, as pessoas ainda conseguem escolher fazer o mínimo de humano
Se isso der certo, a gente não vai esquecer. Se der errado, a gente vai saber que tentamos.
E às vezes, tentar já é mais do que o que a maioria faz.

On outubro 7, 2025 AT 11:55
Mayara Sueza

Mayara Sueza

sera que realmente vai rolar? eu to com medo de ser mais uma promessa q nunca vira realidade...
mas se tiver alguem vivo la dentro, tipo, uma vó ou uma menina de 12 anos, eu to torcendo pra tudo dar certo
mesmo que seja meio bagunçado
por favor, só quero que alguém volte pra casa

On outubro 8, 2025 AT 18:16
irisvan rocha

irisvan rocha

Essa notícia é lixo. Tudo isso é uma farsa montada pela CNN e o Departamento de Estado pra justificar mais bombas.
Se o Hamas tivesse de verdade libertado os reféns, já teria feito isso há 6 meses.
Isso aqui é propaganda. Ponto.
Quem acredita nisso é ingênuo ou pago.

On outubro 9, 2025 AT 23:19
Roberto Compassi

Roberto Compassi

Condições de campo = desculpa pra não fazer nada.
Se eles querem libertar, libertam.
Não precisa de reunião, de observador, de plano de 20 pontos.
É só soltar.
Se não soltarem, são mentirosos.
Ponto.

On outubro 10, 2025 AT 21:12
Jefersson Assis

Jefersson Assis

É imperativo ressaltar, com o devido rigor acadêmico e jurídico, que a aceitação condicional por parte do Hamas, embora aparentemente positiva, não constitui um ato de boa-fé inequívoca, na medida em que a estrutura semântica da declaração emprega cláusulas vagas e indeterminadas, tais como "condições de campo" e "fórmula de troca proposta", as quais carecem de definição operacional clara e, portanto, violam os princípios da certeza e da previsibilidade exigidos pelo Direito Internacional Humanitário.
Além disso, a ausência de um cronograma vinculativo e de mecanismos de fiscalização independente, como previsto no Protocolo Adicional I às Convenções de Genebra, torna a proposta incompatível com os padrões mínimos de transparência exigidos por organismos multilaterais.
Conclui-se, portanto, que a declaração não representa um avanço diplomático, mas sim uma manobra retórica destinada a obter legitimidade internacional sem compromisso substantivo.

On outubro 12, 2025 AT 01:09

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